A GESTÃO ESCOLAR E O ENVOLVIMENTO DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA NA BUSCA DO SUCESSO DA APRENDIZAGEM
*Joseane Bastos Dourado Eduardo
anebastoseduardo@yahoo.com.br
Resumo
O presente artigo possui como objetivo refletir sobre a importância da necessidade de entender e compreender como se dá o processo da educação pública brasileira, suas particularidades no que se refere à gestão escolar, participação pedagógica em busca do sucesso na aprendizagem, sobretudo aos processos burocráticos da gestão, capacidades de ideias e ações que o educador possui em conhecimentos adquiridos nas formações e experiências na prática pedagógica. É de consciência de todos que as mudanças na forma de ensino necessitam de esforços dos gestores administrativos, coordenadores e educadores no promover um ensino reflexivo, uma vez que esse requer maior empenho no trabalho pedagógico. As discussões teóricas expostas no artigo evidenciam que a problemática na educação em relação à interação entre gestor e educador, valorização salarial e o comprometimento por parte de alguns educadores que atuam na escola de maneira avulsa, são tópicos colocados por Karl Marx na formação individual do homem, todavia a realidade socioeconômica e a luta de classes presente na sociedade moderna, onde o homem possui capacidade tanto manual, quanto intelectual mostra com que o modelo pedagógico e educativo possa ser possível diante da motivação individual. Dessa forma é importante que cada ação realizada no processo de gestão administrativa, ensino e aprendizado devem ser muito bem fundamentados para que tenha resultados significativos no futuro. No entanto as constantes mudanças que ocorrem no mundo globalizado aumentam cada vez mais a competitividade nas organizações, exigindo delas inovações interessantes e a necessidade de se criar novas habilidades e atitudes que visem resolver as demandas sociais.
Palavras-Chave: educação, gestão, professor, sociedade, formação.
1. Introdução
É prudente identificar na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9394 de 20/12/1996), os fundamentos básicos que confirmam a função e o papel da educação no processo social, apresentam no Artigo Primeiro a Lei que confirma “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.”
A educação escolar surgiu da necessidade de consolidar a sociedade capitalista e também das reivindicações dos movimentos sociais. No processo de implantação da escola pública, as discussões em torno das funções do professor e do aluno estão relacionadas com o contexto histórico de uma determinada época. A educação visto como necessidade do ser humano torna-se indispensável na vida do mesmo, através da educação que a sociedade se transforma em povo intelectual, questionador e sábio. O aspecto de considerá-la é que a cultura sendo entendida como técnica social de manipulação de consciência, da vontade e da ação dos indivíduos possui finalidade de modelar as personalidades humanas dos membros do grupo social.
Dermeval Saviani (1984) classifica a educação em três teorias, sendo elas:
Não críticas – mostra a educação de maneira autônoma.
Crítico reprodutivista – apresenta a educação como fator de discriminação social, ou seja, a exclusão de indivíduos.
Histórica crítica – enfatiza a escola como uma função específica, educativa, ligada à questão do conhecimento.
Ou seja, a educação vista como preparação para a vida social prevalece uma das razões de atuar o trabalho coletivo como meio para transformar a sociedade e a natureza, no entanto são os objetivos e conteúdos necessários à aplicação do ensino, a partir da socialização que o indivíduo interage na sociedade, dando continuidade nos sistemas sociais. As instituições de ensino devem adaptar os regimes de acordo com a nova LDB e as normas do sistema de ensino, seja ela pública ou privada.
O presente artigo também enfatiza como reflexão a educação pública, a qual sozinha inexiste a capacidade de incluir socialmente e de melhorar a situação socioeconômica, incapaz de produzir conhecimentos equivalentes aos tempos atuais, no entanto a produção num determinado nível de desenvolvimento social colabora com o aspecto educacional da sociedade, o que faz diminuir a pobreza intelectual dos brasileiros.
Por isso é inegável que exista a natureza política do processo educativo, sendo impossível separar a educação política do poder. “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” (PAULO FREIRE). Assim educadores não podem esquecer da atividade política e ser coerentes com a mesma, em termo de conscientizar, atuar e pensar na preservação das estruturas sociais.
O qual é chamado de socialismo, aprendido como um conjunto de crenças, de hábitos, de valores, no entanto, a nenhum momento somos individuais, a todo instante o indivíduo necessita do outro, por esse motivo as escolas precisam ser repensadas e refletidas. Fica claro que a interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem, pois esta ligação é necessária para que o professor considere o conhecimento do aluno já existente. O Educador deve ter a consciência de inovar a prática pedagógica de maneira que proporcione ao aluno a realização de atividades que envolva momento real, dando enfase à socialização, indispensável e fundamental para o avanço da aprendizagem é claro que deve permanecer e pôr em prática a leitura, escrita e compreensão textual de diferentes textos.
2. Funções pedagógicas do gestor na escola
Normalmente no Brasil quem tem poder político, exerce algum tipo de autoridade, mesmo que de forma obrigatória. Autoridade é sinônimo de responsabilidade e muitos confundem, acabam expondo a situações pouco confortáveis.
Não se ensina a ninguém como se conquista autoridade, é espontâneo e vem da própria essência humana não se aprende com outros. Cada um reage de forma diferente em relação à autoridade, uns se tornam líderes, outros se tornam verdadeiros estorvos em nosso cotidiano. A soberania de quem tem o poder está diretamente ligada à definição de conduta, caráter, senso de justiça, mas com grandes poderes vêm também grandes responsabilidades.
O destino de uma família, uma empresa, uma comunidade, um país, está diretamente associado à capacidade da liderança, no entanto, um bom administrador deve ser por definição, um líder, possuidor do próprio perfil, diferencial que conduz os liderados ao comprometimento em relação às metas propostas e aos líderes à eficácia, a saber, a integridade. Uma liderança bem-sucedida depende de comportamentos, habilidades e ações apropriadas e não de características pessoais.
Para tanto, Marx (1818-1883) distingui que toda a realidade significada pelo homem é parte da produção da própria consciência. Não se está aqui dizendo que a realidade é produto da consciência humana, ao contrário, a realidade é produto da atividade humana. E esta mesma realidade é incorporada na consciência do homem não passivamente, mas pelo esforço que os homens na passagem, até o homem evoluído de hoje, fizeram ao longo da história para possuir a consciência tal qual a conhecemos.
A escola deve apresentar rendimentos na aprendizagem vindo dos educandos, ou seja, uma aprendizagem garantida, a mesma deve se preocupar com a qualidade de ensino. Para que esse propósito possa acontecer, faz-se necessário a presença de um gestor administrativo, esse deve ser um educador, o qual significa estar ligado ao cotidiano da sala de aula, conhecer alunos, professores e pais. Só assim ele se torna um líder, não apenas alguém com autoridade burocrática.
Para Antônio Carlos Gomes da Costa, pedagogo e consultor, conceitua o diretor de escola da seguinte maneira:
O administrador escolar — mantém a escola dentro das normas do sistema educacional, segue portarias e instruções, é exigente no cumprimento de prazos.
O pedagógico — valoriza a qualidade do ensino, o projeto pedagógico, a supervisão e a orientação pedagógica e cria oportunidades de capacitação docente;
O sócio comunitário — preocupa-se com a gestão democrática e com a participação da comunidade, está sempre rodeado de pais, alunos e lideranças do bairro, abre a escola nos finais de semana e permite trânsito livre em sua sala.
Entende-se que o diretor é responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola, no entanto, necessita de conhecimento administrativo e pedagógico. Na função pedagógica, deve acompanhar, organizar e coordenar as atividades de planejamentos do projeto pedagógico curricular. No social o Gestor deve organizar atividades que assegurem a relação escola e comunidade.
O diretor é responsável por todos os processos de trabalho na instituição, as questões burocráticas que não são poucas, a estrutura pedagógica, para que se tenha um lucro maior, manter a ordem e funcionalidade da mesma, cuidando da parte administrativa e pedagógica, atuando como chefe de uma equipe que forma a diretoria. O administrador/gestor atento indica caminhos, diante das necessidades da comunidade, desenvolve talentos, facilita o trabalho da equipe, conhece o trabalho pedagógico do professor, comportamento dos alunos, possui contato com as famílias, além de insistir em resolver problemas as quais possam aparece.
Atualmente não cabe mais ao gestor escolar uma postura autoritária, na qual apenas ele define, opina, resolve. O gestor moderno deve aliar conhecimento, habilidade, jogo de cintura e até ousadia, não deve se intimidar em inovar, em arriscar para obter sucesso em seus empreendimentos. Hoje, toda comunidade escolar participa das decisões da escola, é chamada a gestão democrática e participativa, onde se houver acerto, todos acertam juntos e se houver erro, todos erram junto.
De acordo com Durkheim (1974), na escola é preciso haver regras, que se constituem em um instrumento imprescindível da educação moral, cabendo ao professor impô-la, através da utilização de penalidades. Entretanto, ainda existem em nossos meio, gestores que, por estarem ocupando cargos de confiança governamental na área administrativa em escolas chegam ao ponto de confundir os adjetivos autoridade por autoritarismo. Ter autoridade tem equivalido a ser autoritário com os aprendizes, não lhes dando direito de se posicionarem em relação a diversas questões que ocorrem no contexto escolar. De acordo com essa visão, o aluno se cala não por respeitar a autoridade presente, mas por temer as punições e ameaças do gestor autoritário.
Para Arroyo, a gestão da escola se traduz cotidianamente como ato político, pois implica sempre uma tomada de posição dos atores sociais pais, professores, funcionários, alunos, dessa maneira que o trabalho em equipe, as opiniões diferenciadas e o pensamento individual de cada um são fundamentais para que se construa o sucesso coletivo.
Sabe-se que é de extrema importância frisar que, apesar de ser uma forma de poder, a autoridade não se deve ser confundida com autoritarismo, ou seja, seu uso abusivo, pois ao se fazer obedecer por intermédio de castigos, punições, advertências, notas baixas e ameaças de reprovação, o professor consegue uma obediência que não será legitimada por seus subordinados. O gestor escolar deve agir como líder, pensando no progresso de todos que fazem parte da equipe, afinal a liderança é uma habilidade que pode ser desenvolvida e exercida a cada dia. Um gestor líder é capaz de desenvolver o potencial de trabalho de toda a equipe, fazendo com que esta se sinta capaz de transformar e realizar com sucesso todos os projetos desenvolvidos pela instituição de ensino.
2.1 Contribuições do coordenador na escola
O presente artigo contribui com o aprofundamento da reflexão sobre a interação e compreensão dos grupos, significa que o coordenador, mediador alcança uma visão de distancia que lhe permite adquirir aspectos mais extensos, sua ação é provocar reflexão, trazer a dúvida, problematizar o que está em neutro, enfim, ajudar o grupo a pensar e encontrar respostas a fim de construir o próprio crescimento.
É preciso que o coordenador lidere os trabalhos com grupos de caráter ideológico, fazendo criar conceitos significativos não como um modelo a ser seguido ou imitado, mas na companhia de alguém habilitado em elaborar teoricamente ações acontecidas e devolvê-las ao grupo de maneira compreensiva e justa. Segundo Soto (2002), “A habilidade humana é a capacidade para trabalhar de maneira eficaz com as pessoas para obter resultados no trabalho em equipe.” Paulo Freire completa que o trabalho pedagógico deve ser praticado de maneira coletiva, solidária e jamais individualista, “trabalham com, jamais sobre, os indivíduos a quem considera sujeitos e não objetos da ação.” (FREIRE, 1981)
Para que haja um bom desempenho no dia a dia faz se necessário possuir, pondo em prática aspectos indispensáveis no desenvolvimento do bom coordenador: ética, manter a questão do sigilo, como também a não imposição do coordenador de valores e expectativas ao grupo; gosto e confiança, o grupo capta que o coordenador pensa ou sente; respeito pelas características dos participantes, papeis que lhes são usualmente atribuídos; paciência, atitude ativa, o qual oferece aos componentes o tempo necessário para adquirirem confiança e respeito aos ritmos; comunicação verbal e não verbal, aponta como aspectos importantes nas atividades interpretativas em comunicação dos grupos; empatia, ligada à capacidade de fazer um aproveitamento útil, ou seja, se colocar no lugar de cada membro do grupo e entrar num clima grupal; coerência, ausência de caráter, harmonia e qualidade, abala a confiança do grupo no coordenador; amor às verdades, base da liberdade, confiança e criatividade.
Para muitas escolas a função do coordenador ainda prevalece a de atendente, responde as emergências, sem um campo específico de atuação, apazigua as contradições dos professores, alunos e pais, responsável pela construção do PPP (Projeto Político Pedagógico), reuniões que a escola venha a oferecer. Para nossa realidade, ainda não consegue construir a verdadeira experiência no campo pedagógico.
Mas a proposta pedagógica da escola, a qual garante que ela seja posta em prática, orienta pais e responsáveis, alunos, educadores e demais funcionários da instituição à manutenção das posturas pedagógicas, além de responder pela formação dos docentes, prevalece ação necessária à prática do coordenado.
Todavia o papel de um coordenador pedagógico nas instituições de ensino não é um nada fácil, pois além de conduzir os docentes no processo de formação continuada, se faz necessário que este desenvolva um trabalho de observação das aulas dos professores para que desta maneira possa levantar indicativos para as reuniões grupais, além do atendimento individual com cada profissional. Mas o desempenho de um orientador pedagógico não está registrado somente a esses pontos, pois este profissional tão importante na educação dos novos tempos ainda tem de cuidar da própria formação para que tenha maior respaldo teórico metodológico.
2.2 Professor, educador necessário com a formação pedagógica
A formação global do ser humano continua sendo condição de humanização e tarefa do educador em que inclui o desenvolvimento da razão. O professor como parceiro mais experiente na relação pedagógica pode ajudar o aluno na apropriação racional da realidade, onde a dominação socioeconômica continua viva, sobretudo na nossa sociedade, em que os contrastes de classe cada vez mais se acentuam em vez de diminuir.
Através da formação pedagógica, enquanto processo que o professor vai construindo saberes e rompendo com as resistências impostas pelo sistema de ensino. Segundo Nóvoa (1992), concluir o magistério ou a licenciatura é apenas uma das etapas do longo processo de capacitação que não pode ser interrompido enquanto houver estudantes querendo aprender.
A formação que o educador se dá pelo auxílio ao sujeito de adquirir uma atitude crítica frente ao mundo de tal maneira que o habilite a agir junto a outros seres humanos num processo efetivamente educativo. Porém a cada momento que se aprende algo novo torna-se reflexão para o uso da prática em sala de aula, pois “O importante não é o que fizeram de nós, mas o que nós próprios faremos com aquilo que fizeram de nós.” (COSTA, 2001. p.21). Por isso a aprendizagem é tida como uma atividade de descoberta que o aprendiz faz em um ato individual, em uma construção subjetiva do conhecimento, porque esse é o modelo do processo de ensino e o educador um estimulador, um facilitador. As novas tecnologias são ferramentas importantes, mas é o planejamento de aula adequado que faz toda a diferença.
Os professores possuem crenças e práticas enraizadas que não são alteradas em um curto espaço de tempo e os programas de capacitação e de atualização com práticas de avaliação de desempenho contínuas precisam ser implantados para que haja uma mudança efetiva. Esse compromisso é intransferível, insubstituível e impossível de ser subestimado, portanto, quando se coloca nesta perspectiva, enfatiza a enorme responsabilidade que tem o docente na perspectiva de que a qualidade do processo educativo está essencialmente relacionada à qualidade de formação do professor e à competência deste profissional na relação com o conhecimento de que se professa detentor.
Longe de se ter uma educação qualificada, o discurso de posse da Presidente da República, Dilma Rousseff, surpreendeu muita gente, apesar de que falar é fácil, difícil é agir, mas nenhum outro visto apontou à educação como ênfase em mudança no governo atual. A mesma reconhece a importância da qualidade na Educação em pronunciamento no plenário da Câmara. Uma das primeiras deu ênfase à educação brasileira pronunciando "nenhuma área pode unir melhor a sociedade do que a educação". A presidente convoca "todo pai, toda mãe, todo professor" a entrar nesta luta. Segundo a Presidente a educação é a chave para mudança de seu governo “país rico é país sem pobreza” além de expandir o discurso sobre o combate a miséria como um dos pontos principais de sua gestão. Alerta que “somente a educação gratuita, continua e que a boa qualidade pode ajudar as pessoas a saírem da pobreza.” E conclui com a frase: "a única fome neste país será a fome de saber".
No entanto a presidente fala em assuntos que louvam muito bem para todos, como melhoria na formação e na remuneração dos professores, deixando claro a não explicação de como fazer a tão esperada mudança para a sociedade. A esse comentário torna-se impossível negar a natureza política do processo educativo, quanto negar o caráter educativo do ato político.
As transformações sociais, políticas, econômicas e culturais do mundo contemporâneo afetam os sistemas educacionais e os de ensino. Todavia a educação escolar necessita de mudanças para assumir o papel no contexto como agentes de mudanças, geradora de conhecimento, formadora de sujeitos capacitados a intervir e atuar na sociedade de forma crítica e criativa.
Portanto, a construção do ensino aprendizagem se dá primeiramente em cima do erro acontecido em sala de aula, por este motivo que o educador possui o papel de ser mediador, precisa ser conhecedor dos conteúdos e dos conhecimentos prévios, deve produzir e fazer uso do planejamento, reflexão e práticas de alguns métodos, os quais facilitam o aprendizado e o ensino.
Trata-se de oportunizar o educando a possuir liberdade de se expressar, pensar, criticar, respeitar e aceitar características individuais de cada aluno. É cabível salientar que apenas educadores autoritários negam a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educado pelos aprendizes. O aprender, portanto não significa apenas adquirir informações, mas possuir raciocínio lógico adquirido na leitura de mundo.
Segundo PIAGET (1994), o conhecimento implica uma série de estruturas construídas progressivamente através de contínua interação entre o sujeito, o meio físico e o social, portanto o ambiente escolar deve ser estimulante a favorecer essa interação, para isso, deve o projeto político pedagógico da escola, estar fundamentado numa proposta de trabalho que tenha como características: processos dinâmicos subjacentes a construção das estruturas cognitivas.
O perfil do educador que pode implantar a educação para um mundo melhor deve-se existir em si a competência emocional, sabedor de informações, polivalente, empreendedor, líder, além de estar sempre pronto a mudanças constantes. Os professores são agentes fundamentais do processo pedagógico na escola, evidente que todos os que fazem educação na escola, desde a direção até o pessoal de apoio, são os responsáveis por esse fazer educativo.
Costa diz que aquilo que uma pessoa se torna ao longo da vida depende das oportunidades que teve e das escolhas que fez, no entanto somos frutos das oportunidades que tivemos e das escolhas que fizemos ao longo da vida, muitas das escolhas são determinantes da trajetória pessoal. Entretanto, é de suma importância que o professor pare e pense sobre a própria identidade, em si como pessoa, como ser humano capaz de fazer a diferença.
Também conceituado como todo o ser humano envolvido numa prática histórica transformadora, sendo ao mesmo tempo educadores e educandos, numa interação contínua, em todos os instantes de vida, não é necessário nenhuma preparação específica para ser educador. É o profissional que se dedica a atividade, intencionalmente, o educador e o educando aprendem juntos em uma relação dinâmica e dialógica, tendo a prática social orientada pela vivencia.
A ação do educador poderá ser ideologicamente definida, através de atividades que se faz pelo histórico que se delineia no decorrer da própria ação. O planejamento é fundamental para uma boa prática docente. No atual nível da tecnologia, com as ferramentas de busca nas TICs (Tecnologia da Informação e Comunicação), é como se tivesse uma memória externa. Faz se importante o docente mostrar como encontrar tais informações, como filtrá-las e o que fazer com elas. Visto que a apropriação da educação está na vida social, ou seja, na prática social, onde o caminho da liberdade é encontrado no exercício da própria liberdade.
É necessário o resgate do papel da escola como ambiente social gerador de apropriação do conhecimento acumulado pelas gerações atuais, por meio de conteúdos ou produtos histórico-sociais, é sabido que bons professores são formados não só pelo conteúdo que são capazes de repassar, mas também pela maneira como isso é feito.
3. O pensamento de Karl Marx na contribuição pedagógica
Falar em educação requer considerar a realidade socioeconômica e a luta de classes presente na sociedade, o que vai resultar numa concepção de educação não mais idealista e neutra, mas, ao contrário, determinada pela relação entre as condições sociais e políticas.
A discussão sobre o marxismo constitui um momento determinado para a afirmação de uma consciência crítica, onde profissionais acreditam na força de participar da construção de uma nova educação para um mundo de transformação. Para Mark o educador submete a condições sub humanas de trabalho, passando privações por ironia na área da educação.
Sabendo que a responsabilidade e a autoridade na sala de aula se dão pelo professor, através do aluno a dependência cognitiva, hierárquica e psicológica, o que leva o professor a ser o exemplo de vida a ser seguido. O educador Paulo Freire (1985, p. 67), aborda esta prática da seguinte maneira:
“O educador é o que educa; os educandos, os que são educados; 2. O educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem; 3. O educador é o que pensa; os educandos, os pensados; 4. O educador é o que diz a palavra; os educandos, os disciplinados; 5. O educador é o que opta e prescreve a opção; os educandos os que seguem a prescrição; 6. O educador é o que atua; os educandos os que têm a ilusão de que atuam, na atuação do educador; 7. O educador escolhe o conteúdo programático; os educandos jamais são ouvidos nesta escolha, acomodam-se a ele; 8. O educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que se opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar-se às determinações daquele; 9. O educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos meios sujeitos”.
Ou seja, o distanciamento entre professores e alunos é realizado como uma forma de assegurar a confiável transmissão de conteúdos, pelo fato de o professor impedir fatores afetivos, interpretativos e até mesmo questionamentos que modifiquem a palavra presente na cultura aprendida. A infância, por exemplo, era vista como um momento iniciador da formação intelectual e moral, de forma que os processos cognitivos estavam relacionados diretamente com a ação e o dinamismo. Neste sentido, era valorizada a experimentação escolar e didática baseada no fazer e na motivação individual. A experiência pedagógica mais significativa do marxismo é voltar à atenção para o ser humano, para o conhecimento das relações sociais de produção e da distribuição, isto é, das condições produtoras da riqueza e da miséria.
Para Marx, o trabalho enquanto atividade essencialmente humana deve ser colocada como centro da formação individual do homem. Assim, a sociedade moderna deve formar um homem por completo, ou seja, que tenha a capacidade tanto manual quanto intelectual. Desta maneira, o modelo pedagógico e educativo elaborado por Marx trouxe para a pedagogia contemporânea propostas inovadoras como: a importância do trabalho, o qual se contrapunha a uma educação intelectualista, e a relação entre educação e sociedade. Nesta concepção de educação, a escola era concebida como a instituição central para a construção de uma sociedade democrática, apresentava como característica comum a importância dada à atividade do aluno.
4. Conclusão
Ao concluir o artigo procede a afirmação que a educação deve incluir o ensino das incertezas, ensinando princípios de estratégia como o imprevisto, o inesperado, incerteza, modificação no desenvolvimento, de acordo com as virtudes das informações adquiridas ao longo do tempo. No entanto é o profissional da educação que efetivamente exerce o papel pedagógico, dentro da sala de aula em contato direto com o aprendiz, necessita de uma sólida formação técnica, a didática, principalmente, uma excelente formação humana que lhe permita uma consciência democrática na metodologia de ensino e de aprendizagem.
Afinal a educação amplia os horizontes do autoconhecimento e do conhecimento do mundo, sendo através da socialização que o indivíduo pode desenvolver a própria personalidade e ser admitido na sociedade, sendo essa a assimilação de hábitos característicos do grupo social. Esse, portanto fundamenta não apenas para a integração do indivíduo na sociedade, mas também, para a continuidade dos sistemas sociais.
No entanto, a principal tarefa da educação é ensinar os educandos a lidar com novas ideias, reflexões das palavras e de mundo. Aprender a usar ideias inadequadas em favor de outras melhores faz parte da boa educação com relação às ideias. Uma mente humana cria conceitos diferenciados a partir de cada fato que surge aparece novas ideias, no entanto, as ideias criam transformação, conhecimento. Através da vivência social, das informações adquiridas no reflexo do passado é que se aprende a produzir fatos inovadores para uma vida mais humana, intelectual e produtiva.
Pois todo o processo através do qual um indivíduo se torna membro funcional de uma comunidade, assimila a cultura que lhe é própria se dá por um processo contínuo que nunca se dá por terminado, o mesmo realiza-se através da comunicação, sendo inicialmente pela imitação para se tornar mais sociável.
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2 Comentários:
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